Entre Laços

Durante a vida passamos por diversas formações e rompimentos de laços afetivos. Alguns duram muitos anos e outros apenas um curto espaço de tempo. Há ainda os laços eternos entre familiares e as amizades cultivadas por toda vida.

“Entre Laços” é um recorte das ligações de um pequeno grupo de pessoas contendo pais, filhos, netos, primos, amigos e desconhecidos. Todas interligadas de alguma forma ou por algum motivo.

Santa ceia

Muitas justificativas para realização de um trabalho podem ser dadas,  mas filosofando sobre a máxima “…nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!” podemos chegar a um ponto em que surge a discussão: De onde vem a criação? Ou melhor dizendo, a inspiração. Nutrida por uma certa ironia, “Santa ceia” é um ensaio inspirado em trabalhos realizados por fotógrafos como James Reynolds, Marcos Lopes e mais tarde Cheryl Archer’s.

Famílias

Unida por laços afetivos que ultrapassam barreiras sociais, morais, materiais e institucionais, os membros de uma família podem criar vínculos duradouros, passados de geração em geração. Algumas coisas não são facilmente explicadas ou ilustradas quando falamos sobre estes laços, mas podem ser sentidas e notadas em pequenos gestos, atitudes e comportamentos.

O ensaio “Família” busca traduzir em imagens o que sentem, como vivem e se relacionam os membros de uma típica família brasileira: Pai, mãe, filhos, netos e uma herança rica em valores afetivos.

Documentário [v2]

Em 2009, com a colaboração de dois grandes amigos (Caroline e Ankh), realizamos a gravação de um pequeno documentário (acho que podemos chamar de amador). A idéia era contar um pouco da história de 5 famílias que vivem no bairro que surgiu após a enchente que ocorreu em Cuiabá no ano de 1974, Novo Terceiro. Mas este não é apenas um bairro, é também o bairro onde vivi grande parte da minha vida desde que nasci em 1979 até 2004, quando me mudei.

Após um bom tempo em repouso, finalmente concluímos (ou melhor, Ankh concluiu) a edição de uma nova versão, com a idéia mais amadurecida e com a inserção de novas imagens.

Então, o resultado final.

Olhar feminino

Um dos maiores desafios do fotógrafo, é a constante busca pela criação, não a criação pura e simples, mas a criação de algo novo, original, com vida e que transmita ao observador um pouco da emoção que o fotografo teve quando tirou uma determinada foto.

Durante o primeiro Festival de Cinema: Tudo sobre Mulheres, em Chapada dos Guimarães-MT, estava em uma caminhada fotográfica e discutia com um amigo sobre este problema. Podemos aprender muito quando nos abrimos as críticas, e justamente atravéz de uma crítica surgiu a idéia de um ensaio voltado exclusivamente ao olhar feminino. Uma idéia simples, mas com grandes perspectivas. Foi aí, então, que me armei de câmeras, filmes e muita disposição para sair em busca do “olhar feminino”.

Eis que surgem as primeiras barreiras: Olhar feminino?! O processo de criação pode parecer muito complicado, mas eu acredito que nós é que complicamos as coisas. Então, eu procurei tratar tudo com mais simplicidade, sem a necessidade de um trabalho complexo ou exagerado demais. A idéia era retratar o olhar da mulher como ela é, sem produção ou maquiagem, sem artifícios que em alguns casos são obrigatórios, mas não para esse trabalho. Procurei também saber mais sobre os olhos, pois para execução de um tema determinado, a melhor maneira de conseguirmos um bom desenvolvimento é conhecendo bem o que será fotografado.

Como diz o ditado, a beleza está nos olhos de quem vê. Mais certo não poderia estar o autor desta frase, mas, porque não dizer apenas “a beleza está nos olhos”. Há quem acredite na veracidade desta frase. Como os japoneses, por exemplo, onde a maior característica da sua arte cartunista e animada são os olhos, dos seus personagens, enormes e expressivos.

Os olhos dizem tudo sem a necessidade de uma só palavra. As mulheres afegãs têm o corpo coberto por um véu da cabeça ao calcanhar, deixando apenas os olhos de fora. Um tanto quanto radical para nossa cultura latina, mas imagine o que esses olhos diriam se os encarássemos.

Outra dificuldade que tive durante a execução foi o fato de que não era possível registrar a expressão de uma pessoa que sabe que esta sendo fotografada, principalmente pelo fato de serem pessoas comuns. Só de você parar com uma câmera, com aquele trambolho de lente em frente à pessoa, já a deixava completamente retraída, mas com um pouco de conversa e distração a pessoa acabava se soltando e às vezes até gostando.

Com muita dificuldade e indo até um pouco contra o hábito, deixei de lado a expressão, optei por retratar os olhos pura e simplesmente, ou melhor, “a beleza dos olhos”. Uma receita ousada, mas que veio a render bons frutos.

Quando estamos desenvolvendo um tema, sempre surgem diversos problemas e dificuldades, mas é importante cultivarmos a simplicidade do nosso olhar. Trabalhos de fotógrafos criteriosos são ótimos, mas não devemos esquecer do público a quem se destinam as fotos. Essas pessoas sim, têm a simplicidade no olhar e acham belo o que para gente muitas vezes passa despercebido. Devemos aprender a usar os olhos para ver com mais sabedoria e com menos critério.

“O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos e se deleita com a beleza do mundo.” LEONARDO DA VINCI.
Agradecimentos a Marcelo Cunha, produtor, ator e amigo que contribuiu para execução desse trabalho: Olhar Feminino.

Gustavo A. Ribeiro
Original publicado em janeiro de 2007

Desfile do curso de Estilismo de Moda do Senac

Na ultima quinta-feira (15/12) ocorreu o desfile dos alunos do curso de Estilismo de Moda do Senac. Acompanhei e fotografei este evento para homenagear um grande amiga e uma das formandas. As peças confeccionadas pelos alunos estão expostos no hall em frente à biblioteca do Centro de Educação Profissional (CEP) de Curitiba. Confira algumas imagens.

Foto e Vídeo em: Origin of man

A primeira vês que me aventurei na montagem de um vídeo áudio-fotográfico foi ainda como aluno nas aulas no Centro de Fotografia Omicron. O resultado, bastante imaturo, serviu para despertar um grande interesse pelo processo. Unir imagem e som dando sentido a uma idéia maluca, me fez imaginar com seria o processo no cinema, controlando e compondo imagens em movimento.
Entre outros projetos, que a partir dai vieram a se concretizar, Origin of man (ainda imaturo) consegue se aproximar de uma linha de trabalho definida que me agrada muito. Entretanto, como fotógrafo poderia dizer que, a fotografia vai bem obrigado, já o vídeo, apenas dando seus tímidos primeiros passos.

Origin Of Man from Gustavo A. Ribeiro on Vimeo.

Fotografia Underground

Do sonho de montar uma banda, ensaios em garagens, rodas de violão, surge minha verdadeira vocação: a fotografia.

Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou em tocar ou cantar em uma banda de rock, ou nunca teve vontade de pegar o violão em uma roda de amigos da faculdade e tocar para animar a galera. Eu até tentei, mas percebi que não levava jeito pra coisa. Ainda assim, tive muito contato com bandas devido à convivência com amigos musicistas.

Fotografar shows de rock não foi uma opção comercial. No meu caso, pode-se dizer que foi uma influência de convívio, e esta participação fez essa prática amadurecer e hoje se desenvolve constantemente.
Uma coisa muito importante é a liberdade de ir e vir em ensaios, shows, bastidores. Devemos aprender que o músico jamais deve posar para foto, não é natural, não conseguimos captar a sua emoção, a energia. Tudo deve ser muito natural e descontraído.

Acompanhar o ensaio de uma banda é a melhor maneira de estudarmos cada integrante individualmente e, principalmente, conhecer a fundo o estilo e o trabalho que a banda se propõe a realizar. O rock não é simplesmente rock, existem hoje dezenas de variações e estilos, conhecê-los faz com que o trabalho do fotógrafo possa ser melhor desempenhado.

Nos bastidores dos shows muita coisa pode acontecer, é um momento de muita concentração e preparo da banda e nem todos ficam muito à vontade. É importante passar despercebido, que ninguém note sua presença, para que todos fiquem mais à vontade e você possa fotografar sem atrapalhar o trabalho dos músicos.

Com uma explosão de adrenalina e a empolgação geral do público, o show começa. Esse é o melhor momento para fotografar: todos estão a mil por hora e os músicos, mesmo se você estiver ao lado, não perceberão sua presença. Tudo é rápido, dinâmico, é muito importante ficar atento a tudo, inclusive à empolgação do público.
Shows de rock costumam ser muito agitados e se você quer ter a visão do público em suas fotos todo cuidado é pouco: encontrões, empurrões e cotoveladas são distribuídos. Levados pela emoção da caça ao clique perfeito, alguns fotógrafos aventuram-se nos mais variados ambientes, do punk ao grunge, do metal ao hardcore; fotografar o rock é um desafio para nosso olhar. A adrenalina do show é contagiante, certas horas dá vontade de soltar a câmera e pular do palco em um mosh ao encontro da galera.

A maioria dos fotógrafos profissionais não usa flash em shows, alguns até criticam o uso, mas não há uma regra. O que eu recomendo é, quando usar, tenha muito cuidado, pois o melhor será utilizar sua criatividade e explorar ao máximo a iluminação do ambiente. Os efeitos de luz são muito variados em shows, aproveite e utilize tudo que o ambiente oferecer para conseguir fotos únicas: garanto que os resultados serão muito satisfatórios.

É extremamente importante e necessário utilizar lentes claras para fotografar shows. Apesar dos vários efeitos de luz, elas podem não ser o bastante para registrar a imagem. Utilizando lentes claras e forçando uma pequena elevação no ISO o problema é perfeitamente resolvido. É possível também utilizar flash com baixa velocidade do obturador, proporcionando efeitos interessantes.

Seja em uma garagem, em frente de um palco ou dentro de um estúdio de gravação, fotografar bandas é um trabalho muito mais sério do que parece e exige muita atenção e cuidado do fotógrafo. Afinal de contas, fotografar também é um estilo.

Gustavo A. Ribeiro
Original publicado em dezembro de 2006

A fotografia por todos os lugares

Convidado a participar de um dos maiores festivais de cinema do Estado de Mato Grosso, durante quase uma semana estive em Chapada dos Guimarães comendo, bebendo, respirando e vivendo fotografia. Uma experiência única, não só do ponto de vista profissional, mas também social. O evento trouxe pessoas de várias regiões do país para essa pequena cidade a 60 km de Cuiabá.

Durante os 5 dias que estive prestigiando O festival de cinema dedicado às mulheres “Tudo sobre Mulheres”, fiz questão de acordar bem cedinho, antes mesmo do nascer do sol, coisa que não sou lá muito acostumado a fazer cotidianamente, para não perder a oportunidade de caminhar pela cidade vazia e silenciosa iluminada pelos primeiros raios de sol.

Com a mochila nas costas e equipado até os dentes com cartões de memórias, baterias extras, filmes, filtros e tudo mais, pude incorporar meu espírito aventureiro e explorar todas as cenas que a cidade tinha para oferecer. O melhor de tudo foi poder andar tranquilamente com a câmera sempre à mão – moro em Cuiabá e pouco me aventuro a sair sozinho para fotografar, há lugares que nem mesmo acompanhado tenho segurança para tirar a câmera da mochila para clicar. Mas em Chapada não, acho que isso é bem de cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo e existem até os que ainda dormem com as portas destrancadas.

Foi nesse ambiente que ocorreram as apresentações dos filmes do festival. Cinema ao ar livre. Não pude assistir a todos os filmes, pois nem mesmo nesse momento eu me continha a fotografar, porém, fui presenteado com cenas únicas como o olhar fixo na tela de alguns ou o carrinho de pipoca para acompanhar. Pude enxergar a fotografia em tudo e em todo lugar.

Outra ponto muito interessante foi a oficina de fotografia para adolescentes. Cada um com uma câmera descartável à mão saiu pela cidade para fotografar as cenas do seu cotidiano, e esses sim conhecem a cidade como a palma da mão. Eu, é claro, não deixei de acompanhar e ver a empolgação coletiva e o quão ansiosos ficavam para ver o resultado aguardando a revelação das fotos. Ao final da oficina houve uma pequena exposição com algumas fotos selecionadas dos participantes. Foi de se espantar: sem um vasto conhecimento sobre fotografia, na verdade apenas com os conceitos básicos, produziram fotos incríveis.

A fotografia pode estar em todos os lugares, dentro de casa, na rua, na praça, na sorveteria ou até mesmo no campinho atrás da igreja, basta prestarmos um pouco mais de atenção às coisas simples que estão à nossa volta. Nem sempre é preciso ter uma super câmera com uma mega objetiva para uma boa foto. É como se diz: O importante é o olhar e não o equipamento.

Gustavo A. Ribeiro
Original publicado em novembro de 2006

A fotografia de Claudio Edinger

Conhecido como um dos maiores fotógrafos brasileiros, Claudio Edinger tem em sua tragetória, um vasto histórico de sucesso e publicações de livros fotográficos. Sua biografia é constantemente comentada em diversos portais e blogs relacionados ao mundo a arte.

Fotógrafo, Escritor, Diretor de Arte, Editor e Curador, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente e de participar de um workshop do fotógrafo sobre “O livro e o trabalho autoral na fotografia”.

Não tenho a pretenção de repetir o que todos falam sobre este grande fotógrafo, apenas irei compartilhar de algumas imagens que me inspiram e me desafiam a combinar produção, técnica e olhar para compor imagens dignas de uma moldura.

Mais informações sobre o fotógrafo podem ser conferidas em http://www.claudioedinger.com