
Um dos maiores desafios do fotógrafo, é a constante busca pela criação, não a criação pura e simples, mas a criação de algo novo, original, com vida e que transmita ao observador um pouco da emoção que o fotografo teve quando tirou uma determinada foto.
Durante o primeiro Festival de Cinema: Tudo sobre Mulheres, em Chapada dos Guimarães-MT, estava em uma caminhada fotográfica e discutia com um amigo sobre este problema. Podemos aprender muito quando nos abrimos as críticas, e justamente atravéz de uma crítica surgiu a idéia de um ensaio voltado exclusivamente ao olhar feminino. Uma idéia simples, mas com grandes perspectivas. Foi aí, então, que me armei de câmeras, filmes e muita disposição para sair em busca do “olhar feminino”.
Eis que surgem as primeiras barreiras: Olhar feminino?! O processo de criação pode parecer muito complicado, mas eu acredito que nós é que complicamos as coisas. Então, eu procurei tratar tudo com mais simplicidade, sem a necessidade de um trabalho complexo ou exagerado demais. A idéia era retratar o olhar da mulher como ela é, sem produção ou maquiagem, sem artifícios que em alguns casos são obrigatórios, mas não para esse trabalho. Procurei também saber mais sobre os olhos, pois para execução de um tema determinado, a melhor maneira de conseguirmos um bom desenvolvimento é conhecendo bem o que será fotografado.
Como diz o ditado, a beleza está nos olhos de quem vê. Mais certo não poderia estar o autor desta frase, mas, porque não dizer apenas “a beleza está nos olhos”. Há quem acredite na veracidade desta frase. Como os japoneses, por exemplo, onde a maior característica da sua arte cartunista e animada são os olhos, dos seus personagens, enormes e expressivos.
Os olhos dizem tudo sem a necessidade de uma só palavra. As mulheres afegãs têm o corpo coberto por um véu da cabeça ao calcanhar, deixando apenas os olhos de fora. Um tanto quanto radical para nossa cultura latina, mas imagine o que esses olhos diriam se os encarássemos.
Outra dificuldade que tive durante a execução foi o fato de que não era possível registrar a expressão de uma pessoa que sabe que esta sendo fotografada, principalmente pelo fato de serem pessoas comuns. Só de você parar com uma câmera, com aquele trambolho de lente em frente à pessoa, já a deixava completamente retraída, mas com um pouco de conversa e distração a pessoa acabava se soltando e às vezes até gostando.
Com muita dificuldade e indo até um pouco contra o hábito, deixei de lado a expressão, optei por retratar os olhos pura e simplesmente, ou melhor, “a beleza dos olhos”. Uma receita ousada, mas que veio a render bons frutos.
Quando estamos desenvolvendo um tema, sempre surgem diversos problemas e dificuldades, mas é importante cultivarmos a simplicidade do nosso olhar. Trabalhos de fotógrafos criteriosos são ótimos, mas não devemos esquecer do público a quem se destinam as fotos. Essas pessoas sim, têm a simplicidade no olhar e acham belo o que para gente muitas vezes passa despercebido. Devemos aprender a usar os olhos para ver com mais sabedoria e com menos critério.
“O olho é a janela do corpo humano pela qual ele abre os caminhos e se deleita com a beleza do mundo.” LEONARDO DA VINCI.
Agradecimentos a Marcelo Cunha, produtor, ator e amigo que contribuiu para execução desse trabalho: Olhar Feminino.
Gustavo A. Ribeiro
Original publicado em janeiro de 2007